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Um exercício crítico...

 
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pbrandao
Site Admin


Joined: 01 Apr 2006
Posts: 1426
Location: Corroios

PostPosted: Thu Jun 15, 2006 9:14 pm    Post subject: Um exercício crítico... Reply with quote

Fiz um desafio a alguns amigos e conhecidos, que vou aqui replicar, e que até gostava que seguissem comigo. Imaginem que eu vos convidava para jantar, e vos punha o convite nos seguintes termos:

“-Vamos jantar fora? Conheço um restaurante de beira de estrada onde podemos ir. Não é o paraíso, mas safa-se, e não tem copos XPTO, mas são adequados.”

O exercício consta em agora imaginarem ou visualizarem o cenário para onde pensam que vamos jantar, após as minhas palavras. O resultado do exercício deverá ser a vossa resposta ao convite. Vão aceitar ou recusar? Suponham que cada um paga a sua parte e que o valor por pessoa pode rondar os 20 euros sem vinho, para não existirem outros factores que influenciem a vossa decisão.

Quando encontrarem a resposta, podem continuar a ler, e seguir o link:


http://lazer.publico.clix.pt/artigo.asp?id=151308


Antes de continuar, vou factualizar algumas coisas:
-conheço o restaurante em causa, já lá fui bastantes vezes
-conheci lá o dono, e até criámos alguma relação, fruto de gostos comuns por gastronomia e vinhos
-ambos os pontos acima não me impedem de, com alguma isenção, ver e apontar abertamente coisas que considero que deveriam ser corrigidas ou melhoradas, como já fiz e continuarei a fazer
-não sou crítico de nada, nem de nínguem
-sou um consumidor atento, curioso, e que gosta de partilhar opiniões pessoais
-tenho um grande respeito por toda a massa crítica profissional, em particular pelo Sr. David Ramos Lopes (DRL), que me serve de referência sempre que me desloco a algum lado e procuro um sítio para fazer uma refeição

Das pessoas com quem fiz o exercício com que comecei a minha prosa, nenhuma se mostrou receptiva a aceitar o meu convite. Dentro dessas, nas que já conheciam o restaurante, como eu, só consegui que mudassem a expressão para espanto depois da leitura do artigo.

Também eu reagi assim às palavras e termos usados por um profissional, na crítica feita.
O poder da pena não deve ser subestimado nem usado sem a devida parcimónia. Quem o detem deveria ter na sua consciência que meia dúzia de palavras podem facilmente elevar ou destruir, e usá-las requer a maior justiça possível.

Na versão electrónica não consta o título e sub-título que se lê na versão de papel, e que versavam mais ou menos como:
Leitão entre Corroios e Cruz de Pau
Já Sérgio Godinho nos avisava para termos cuidado com as imitações”

Chamar “restaurante de beira de estrada”, na frase de abertura, é espetar a faca directa ao coração e matar ainda antes de conhecer. Considero no mínimo ofensivo para o restaurante em questão.
Que sentido se dá a “de beira de estrada” aqui? Se é estrito, então quase todos os restaurantes são de beira de estrada. O mais beira de estrada que me lembro agora de repente, é o Galeria de Gemelli. Nem dois passos tem entre a porta e a estrada. É no entanto um restaurante de nível superior, louvado justamente pela crítica, e na minha opinião pessoal, o melhor restaurante onde alguma vez comi. Não me lembro de ter encontrado esta expressão na crítica feita por DRL ao mesmo.
Já o Palácio do Vinho, é de beira de estrada, da Nacional 10, entre a Cruz de Pau e Corroios, mas após passar o portão tem estacionamento, e até se entrar, ainda calcorreamos uma boa dezena de metros.
Se o sentido é lato, certamente que todos os que seguiram o exercício inicial, transportaram esta descrição para sítios menos agradáveis. Para mim, é um sítio com camiões à porta, fritadeiras de bifanas com gordura de dias, que respingam o envidraçado que protege quem come ao balcão, de barriga de fora das calças. Quanta diferença existe entre dizer “restaurante de beira de estrada” e “restaurante à beira da estrada”. Nuances, mas de vital importância.

Estranho é que num restaurante de beira de estrada a carta de vinhos esteja organizada e contenha centenas de referências, ofereça Charme, Batuta ou Dado, colheitas tardias, Porto Vintage, Moscateis, Espumantes e Champagnes. Estranho também que num restaurante de beira de estrada se possa beber o vinho da casa a copo, e que o mesmo não seja de garrafão, mas sim de um produtor da região, mencionado até por DRL como “um tinto com uma atraente relação qualidade/preço”.

Se a crítica exigente e profissional existe, é com que intenção? Acordar um dia de humor em baixo e escolher alguém para servir de descompressão? Ou analisar consistentemente algo e fazer crítica positiva que ajude fornecedores de serviços e consumidores a ter mais e melhor?

Não vejo no texto nenhuma menção a falhas que considero que deviam ser corrigidas neste restaurante, e que já tive a hipótese de transmitir ao proprietário. Como exemplo, na lista de vinhos não vem mencionado que o vinho da casa pode ser servido a copo com o respectivo preço, não vem mencionado que existem copos Riedel e de outras marcas que possivelmente se adaptam melhor a determinados vinhos. Também acho que o parque desses copos devia ser aumentado, que os copos base deviam ser substituídos por uma gama de restauração da Riedel, Schott ou Spiegelau, e que a temperatura de serviço dos tintos devia ser ligeiramente inferior. Isto sim, penso que são assuntos de menção importante num acto crítico profissional, úteis para o restaurante e consumidor.
São mencionadas as celas onde os vinhos são guardados, mas não é mencionado que a escolha da localização das mesmas se deveu à temperatura quase constante de conservação, ao ambiente sem luz agressora ou à melhor localização em termos de humidade, bem como por ser o local mais distante da cozinha. Para um restaurante de beira de estrada, é muito detalhe, digo eu.
Podem afirmar que essa informação não está disponível em lado nenhum, mas parte do trabalho de análise não deveria contemplar algumas perguntas à gerência? Clarificar algumas dúvidas ou enriquecer o texto com mais informação só fazia bem, a todos.

Depois vem a parte que eu entendo que não tenho nada a comentar. DRL é um profissional com muitos anos de praça, é um crítico entendido, e faz a crítica à matéria prima principal, que é o leitão. Nada a dizer, não tenho conhecimentos nem intenção de argumentar. Aqui acho que reside crítica construtiva, pois com os reparos feitos, certamente possibilita que sejam feitas correcções a confecção e serviço.

De seguida, e em jeito de conclusão talvez inesperada, fecha com expressões que realmente não ficam nada bem:
“Os copos de serviço, não sendo XPTO, são adequados.”. Copos XPTO? Mas estamos a conversar todos entre amigos na esplanada ou a ler uma apreciação entendida? Em que medida esta observação contribui para que se aprenda alguma coisa?

“Quer dizer, o Palácio do Vinho não é o paraíso, está longe de rivalizar com o que de melhor existe na Bairrada, como já vi escrito, mas safa-se. O que já é alguma coisa.”
Não é o paraíso, mas safa-se. De novo, estamos todos na galhofa e a mandar bitaites para o ar, e os euros que gastei a pagar o jornal e por consequência o ordenado de quem escreve são afinal mal empregues.

É assim que fecha o artigo, no mesmo estilo do começo. Estranho não haver passagem pelas sobremesas nem pelos vinhos das mesmas ou digestivos. Ou a barriga estava bem aconchegada e não cabia mais nada, ou a experiência foi realmente tão má que não deu vontade de arriscar.
Coisas como o ambiente, a iluminação, as mesas, o espaço disponível, que entendo deveriam ser abordadas, são esquecidas.

Acho que todo o artigo se pauta por uma certa displicência na escrita, usando expressões e termos facilmente interpretados de modo negativo, e na falta de respeito por leitores e visados. O impacto que a leitura do mesmo traz é negativo e duvido que alguém que o leia fique com vontade de visitar o restaurante. Na minha opinião, injustamente.

Sendo um sítio que está longe da perfeição, que tem falhas, problemas, oportunidades de melhoria, está também muito longe do modo em que é apresentado a uma plateia de muitos milhares de pessoas. Reforço de novo no entanto, que nada tenho a comentar à parte do artigo onde a crítica, como a interpreto como tal, é feita, apontando erros e possibilidades de correcção.

É certo e sabido que toda a crítica tem uma dose grande de subjectividade. Também não restam dúvidas que quem se intitula profissional da crítica deve sempre encarar o seu trabalho do modo mais analítico possível, e afastar-se do lado passional. É para isso que são pagos, não para dizer o que bem entenderem.
Este exemplo fez-me ver o quanto ingénuo sou. Se neste caso, em que conheço, sou capaz de emitir o meu juízo de valor, e concordar ou não, e democraticamente dar a minha opinião, quantas outras leituras foram feitas singelamente, com o credo cego nas palavras, pois seriam o fruto do trabalho de um profisional. Não consigo afastar a sensação de dúvida sobre quantos julgamentos já fiz com base nessa crença, erradamente. E não consigo deixar de pedir desculpas por assim ter agido. Hoje estou certamente mais correcto no meu modo de olhar o mundo, espero que mais justo também. Pelo menos assim tentarei fazer. É que não é preciso ser muito entendido nesta matéria em particular para saber que para recuperar de uma crítica negativa (justa ou injusta), são precisas muitas positivas mais de seguida.
Do mesmo modo, também a sensação amargosa que fica no final de desconfiança, necessita de doses bem maiores de confiança para se dissipar.
Por tudo isto, talvez recorrer a maior sensibilidade e bom senso, temperadas de bastante respeito por todos os que trabalham, sejam a melhor forma de encararmos o que fazemos. E isto não se aplica só na crítica, mas a tudo.

Para terminar, antecipo alguns comentários que podem surgir sobre estar eu a ir contra o que digo, e estar a reagir de modo passional ao acontecimento. Concordo, e assumo. A diferença é que eu me posso dar a esse luxo.
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Abraços

PBrandão
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Rui Miguel



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PostPosted: Thu Jun 15, 2006 9:26 pm    Post subject: Reply with quote

Pedro, como sabes conheço bem o restaurante. Várias vezes nos encontrámos por lá. Mas o que salta à vista na critica do DRL é a linguagem utilizada por ele. Deixou-me Shocked

Pode-se e deve fazer criticas, mas...

PS- Eu frequento Restaurantes de Estrada!
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Rui Miguel



Joined: 26 Apr 2006
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PostPosted: Thu Jun 15, 2006 9:44 pm    Post subject: Reply with quote

Volto outra vez. Pedro, eu compreendo-te, aliás não precisarias de dizer isso! Partilho na totalidade a tua opinião.Wink
É saudável falar com paixão. É a paixão que nos alimenta, que torna o sangue quente! Se nós, e estou a falar de mim de ti, podemos dar-nos ao luxo de dizer que não gosto, que não presta, entre outras barbaridades. Um jornalista como DRL deve ou devia, pelo menos, ter algum cuidado nas palavras que usa! Ou estarei errado!?
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Jorge Sousa



Joined: 27 Apr 2006
Posts: 50

PostPosted: Mon Jun 19, 2006 11:13 pm    Post subject: Reply with quote

Caro Pedro, excelentes observações, dignas de serem lidas pelo autor da peça.

Será que o autor do artigo espera que o sentido de justiça e respeito pelo trabalho dos outros seja uma coisa bi-direcional?
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pbrandao
Site Admin


Joined: 01 Apr 2006
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Location: Corroios

PostPosted: Tue Jun 20, 2006 11:19 am    Post subject: Reply with quote

Não mencionei na altura, mas fiz questão de informar a coluna "Lazer" do Público que estaríamos a discutir aqui a análise feita. Este é um espaço público e aberto, que só teria a ganhar se pudessemos discutir o assunto com alguém de lá.
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Abraços

PBrandão
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